Único hexa na última Cerimônia Nacional, mineiro se tornou inspiração para outros medalhistas
Enquanto o Brasil segue sonhando com o hexa nos gramados, o estudante Matheus Barreto Ferreira dos Santos já alcançou o seu na educação. Aos 19 anos, o jovem de Barbacena (MG) recebeu sua sexta medalha de ouro na Cerimônia Nacional de Premiação da (OBMEP), realizada na segunda-feira (22), no Rio de Janeiro, e marcada pela celebração dos 20 anos da iniciativa. A conquista também simboliza o encerramento de um ciclo: após concluir o Ensino Médio, esta foi sua última participação na premiação.
Aluno do Colégio Preparatório de Cadetes do Ar (EPCAR), Barreto participou da OBMEP sete vezes. O resultado impressiona: são seis medalhas de ouro e uma de prata. Mais do que uma coleção de conquistas, a trajetória representa anos de dedicação, aprendizado e transformação.
“Há um sentimento de gratidão imensa, porque pude acompanhar ao longo de vários anos a transformação em mim, na própria Cerimônia, na OBMEP. Gratidão por todos os momentos que pude vivenciar aqui”, afirma.
O interesse pela matemática surgiu ainda na infância, impulsionado pelo ambiente familiar. Embora os pais não atuem na área, sempre incentivaram o filho desde cedo.
“Meu pai é autônomo e minha mãe é professora de educação física. Então, nenhum dos dois trabalha com a matemática em si. Mas, desde novos na escola, eles gostavam da matéria e se interessavam. Esse estímulo foi decisivo para eu começar a estudar por conta própria.”
Foi no 5º ano do Ensino Fundamental que a curiosidade se transformou em interesse. No ano seguinte, veio o primeiro contato mais intenso com a olimpíada. “Sempre tive facilidade em matemática desde a infância, por causa de um incentivo muito grande da minha família, dos meus estudos, bem como das minhas escolas. No 6º ano eu comecei efetivamente a estudar para a OBMEP. Desde então, não parei mais.”
Ao longo dos anos, a olimpíada se tornou muito mais do que uma competição. Para Barreto, ela foi uma porta de entrada para novas formas de aprender, interpretar o mundo e construir relações duradouras. “A OBMEP foi para mim uma oportunidade realmente de crescimento, de aprender a estudar e me interessar pelas coisas que eu achei importantes na vida.”
Ele também destaca a maneira como a matemática passou a fazer sentido para além da sala de aula. “A OBMEP me ajudou a perceber que matemática não é simplesmente um monte de número, igual muita gente acha. Podemos utilizar a matemática como uma forma de interpretar a nossa realidade. E eu sempre gostei muito de trazer para esse campo do real, ao invés de ficar me preocupando com simplesmente ‘ah, tem que decorar isso aqui, decorar aquilo ali’. Eu sempre busco entender o que estou fazendo.”
Entre os benefícios proporcionados pela OBMEP, Barreto cita as amizades construídas ao longo da jornada e as oportunidades acadêmicas que surgiram a partir do desempenho nas olimpíadas.
“Encontrei muitas pessoas que gostavam de estudar para a OBMEP, que miravam notas altas e medalhas. Conheci muita gente nas cerimônias, pessoas que vieram com o passar dos anos, e essas são amizades verdadeiras que vou levar ao longo da vida toda.”
Na esfera acadêmica, o estudante também participou do PIC Jr. (Programa de Iniciação Científica). “O PIC me auxiliou ao longo dos anos a evoluir ainda mais o meu conhecimento na matemática.”
A comemoração dos 20 anos da OBMEP deu um tom especial à cerimônia nacional deste ano. Para Barreto, que construiu boa parte de sua trajetória acadêmica dentro da olimpíada, a celebração também representou um momento de despedida. “Chega a ser melancólico, porque eu estou desde 2019 participando das cerimônias. Acompanhei muitas mudanças e o crescimento do evento, além da minha própria mudança. Foi muito especial”.
Ao olhar para os novos medalhistas que começam suas trajetórias, Matheus se reconhece neles. “Agora, vejo as crianças do 6º ano, 7º ano celebrando a primeira medalha e eles ficam felizes, me veem e dizem: ‘Nossa, você tem seis medalhas’. Ontem mesmo eu era menor do que alguns deles e olhava para os medalhistas que tinham a mesma quantidade que eu tenho e ficava admirado também.”
Para os estudantes que sonham em conquistar uma medalha, o hexamedalhista deixa um conselho simples: começar. “O importante é começar a estudar, refazer uma prova antiga, se desafiar, tentar resolver uma questão, colocar a cabeça para funcionar.”
Para ele, no entanto, o maior legado da olimpíada vai além dos prêmios e das portas que se abriram ao longo do caminho. “Ainda que o estudante não se torne um medalhista da OBMEP, por meio do estudo e da participação, é possível alcançar uma visão de mundo muito diferente. E estar em contato com essa realidade, com as pessoas que também participam desse meio, pode trazer muitas oportunidades para o futuro.”